Friday, March 03, 2006

Teatro em DVD: essa idéia pode pegar


A maioria dos brasileiros não tem acesso fácil ao teatro. Uma saída promissora pode ser a filmagem dos espetáculos.


Antes de mais nada tenho que fazer um convite a você internauta que gosta de teatro e cinema. Alugue o DVD da peça teatral Sete Minutos.

Assistindo a essa peça-filme, sentado no sofá de minha casa, percebi que a união Teatro-Cinema é possível. Sem mudança de linguagens. Apenas a filmagem, bem feita.

Vamos aos pontos dessa discussão:

Moro há 19 anos no interior e raramente tenho dinheiro para pagar uma passagem com destino ao Rio de Janeiro ou à São Paulo para ver teatro. Quando tenho, não sobra nada para pagar o ingresso que é caríssimo. Sabendo que as grandes peças brasileiras estão em cartaz (na maioria das vezes) no eixo RJ-SP; concluo que para mim é muito difícil ter acesso aos grandes espetáculos brasileiros.

Por todos esses motivos, nunca tinha visto a famosa peça de Antônio Fagundes, com direção de Bibi Ferreira. Até que certo dia, estava na locadora e vi o DVD da peça ali na minha frente. Paguei apenas 5 reais e assisti tudo na minha casa.
É claro que não foi nada ao vivo, eu não presenciei aquela escuridão do teatro, e nem senti a emoção de ver as interpretações ali na minha frente. Simplesmente assisti um filme que era uma peça. Mas mesmo assim, fiquei satisfeito!

Seria 1000 vezes melhor presenciar esse espetáculo. Mas já que é impossível ter esse acesso, então por que não ver a peça-filme? É melhor ter um pouquinho do que nada.

Acredito portanto que a união Teatro-Cinema é benéfica. Quando a produção é bem feita, uma peça teatral pode sim ser filmada. Isso, sem dúvida, diminuiria o número de brasileiros que nunca foram ao teatro. Quando eles assistissem a uma peça de qualidade na TV, correriam logo para as casas teatrais.

A emoção de presenciar um espetáculo é única. Mas a decepção de não poder assistir, também é única e imensa. Vamos filmar nossos belos espetáculos!
Para alugar o filme (peça) Sete Minutos clique aqui

Thursday, March 02, 2006

O cinema jovem de Jorge Furtado


Filmagem do cineasta gaúcho virou preciosidade para os jovens brasileiros. A escassez de produtos de qualidade, voltado para essa faixa etária, ainda permanece.


Ele é um roteirista experiente em televisão e já acertou três vezes na telona. Foram três longas metragens e três sucessos. Filmes engraçados, com roteiros inteligentes, voltados para o público jovem, com atores competentes, trama bem formada e muito estilo. Estou falando do gaúcho Jorge Furtado e de suas crias: Houve uma vez dois verões; O Homem que Copiava e Meu tio matou um cara.

Hoje em dia quando falamos de cinema brasileiro voltado para os jovens, temos que falar de Jorge Furtado. Pobres dos que se contentam com a artificialidade e a baixa qualidade de programas televisivos como “Malhação”. Tudo bem que existem bons programas na TV aberta como “Anos Incríveis”, “Confissões de adolescente” e até mesmo o clássico “Castelo Rá-tim-bum”.

Mas vamos falar de Cinema e de Furtado...

Seu primeiro longa (2002) foi filmado no Rio Grande do Sul e interpretado por atores gaúchos. Houve uma vez dois verões colocou em pauta temas como: sexo na adolescência, a primeira transa e todos os comportamentos dos guris nessa idade. Tudo isso debatido com muita classe e bom humor.

Depois veio o grande sucesso! O Homem que copiava protagonizado por Lázaro Ramos foi um marco. Um roteiro impressionante nos detalhes escondidos, uma história fascinante e com uma dose de humor na hora certa e no momento correto. Destaque para Leandra Leal, Pedro Cardoso, Luana Piovani e todo o elenco que foi brilhante e merecedor de muitos prêmios que apareceram.

Por fim tivemos Meu tio matou um cara. Mais uma vez Lázaro Ramos e mais uma vez um grande sucesso. Lázaro pôde criar um personagem ainda mais engraçado e interessante. Ao lado dos jovens atores Darlan Cunha e Sophia Reis o filme se mostrou limpo, belo e suave. Um amor complicado de dar certo que no fim se concretizou. E tudo acabava num beijo de maneira inesperada. “Eles se beijaram e pronto”. O espectador fica de boca aberta e simplesmente aplaude.

Qual será a próxima cartada de Jorge? Espero que apareça logo e que mais uma vez seja para os jovens. Nós precisamos de Furtado: na TV, no Cinema, na Literatura... salve, salve Jorge Furtado!

Clique aqui e confira a filmografia desse grande cineasta.

Friday, February 24, 2006

Carnaval na TV é um porre



Quem é obrigado a acompanhar as transmissões da folia nos canais abertos sempre se dá mal. Isso não muda.


Mês de fevereiro aqui no Brasil é um caso a parte. Ainda estamos nos acostumando com o novo ano que chegou e ao mesmo tempo nos preparando para a folia. Vem aí o Carnaval! Época de alegria, festa, diversão. Mas afinal de contas:
por que a TV fica tão insuportável nessa temporada?

Estou tranqüilo assistindo mais um filme sonolento da Sessão da Tarde e de repente vem a vinheta. “Na tela da TV no meio desse povo...”. Repórteres mostram festas que ainda irão acontecer. Escolas de Samba cantam suas marchinhas para que decoremos a letra. E por fim, uma bela morena sorridente aparece sambando na tela.

Durante o Jornal Nacional pensei que teria sossego. Engano meu. Matérias especiais sobre a festa diferente que acontecerá no Amazonas, como vai ser a folia no Rio, na Bahia e por todo lado.

Mas essa não é a pior parte. Ruim mesmo é durante o Carnaval. Comentaristas opinam sobre o desfile. “Muito lindo, sensacional, bacana, bem ensaiado”. Comentários óbvios e sem consistência. E as imagens? Gente dançando, suando, cantando e posando para as fotos.

Convenhamos que se você vai assistir TV durante o Carnaval, das duas uma: ou você está frustado por não poder desfilar ou então não gosta da festa. Portanto fica claro que assistir televisão durante a folia é um porre. Por que manter esse padrão irritante? Já disse e repito: o telespectador pode odiar ou amar Carnaval. E se a segunda alternativa for verdadeira, ele consequentemente vai invejar o que será mostrado na tela e não vai querer assistir.

Ah como eu gostaria de ver mudança na TV aberta em todas as épocas do ano. Porém nesse instante só grito por Mudança na Programação durante o Carnaval! Fico inconformado com tamanha mesmice que sempre gerou menos ibope e menos lucro. Por que não investir em bons filmes, boas séries, humorísticos, ... não sei. Só sei que folia toda hora enoja qualquer um.

Experimente mudar e depois veremos os números.

Wednesday, February 22, 2006

Discutindo a qualidade da TV



Por que a Rede Globo se mantém como A Toda Poderosa, mesmo tendo um conteúdo tão ruim.

Já experimentou parar por um dia e acompanhar toda a grade de programação da TV Globo? Eu já. Acordei às 7 horas, tomei um café reforçado e fui até o sofá. Liguei a televisão, escondi o controle remoto e decidi: hoje vou descobrir por que o ibope desse canal 17 é tão espetacular.

Ana Maria Braga, com todo seu carisma, comandava o Mais Você ao lado de seu escudeiro fiel, o Louro José. Receitas exóticas e caríssimas eram realizadas em uma cozinha dos sonhos de qualquer dona-de-casa. Sabendo que no Brasil o que realmente faz a diferença é o povão (a massa), concluímos que as receitas culinárias não são executáveis. Elas simplesmente ilustram o imaginário dessas donas-de-casa. O tempero final do programa está nas piadas do boneco Louro. Ele, além de atrair o público infantil, ainda encanta o público em geral com sua voz engraçada e com todo seu charme.

TV Globinho: agora é hora de desenhos para a criançada. Que decepção. Uma bela e jovem apresentadora chama os desenhos com um linguajar forçado e artificial. Ela não pára de repetir: “Muito irado esse desenho!”. E as animações são feias, esteticamente. Quase todas japonesas, com muito sangue, muita luta e futilidades. Estética ruim, conteúdo ruim, piadas sem graça. Foi isso o que eu vi.

TV Xuxa começou. Aquela jovem e bela loura, que Marlene Matos inventou, está um pouco mais velha e com a imagem desgastada. Sua relação com a molecada não é natural e ela, definitivamente, não é mais a rainha dos baixinhos.

Monteiro Lobato: finalmente! Vamos ver o Sítio do Picapau Amarelo. E mais uma decepção. A história foi totalmente transformada e virou mais uma novelinha sem graça. A Narizinho tem agora duas bonecas, a Dona Benta já envia e-mails e as interpretações dos personagens são pífias.

Os Jornais Regionais estão no ar e resolvo comer alguma coisa.

Volto e me deparo com o simpático “Oiiiii!” da Glenda no Globo Esporte. Com tantas imagens exclusivas e repórteres de qualidade, o resultado é preocupante. Discute-se pouco, analisa-se pouco e os gols passam como rápidos chutes. Nem sequer conseguimos enxergar o que aconteceu na jogada. Tudo muito rápido e adicionado com esportes sem graça e sem importância.

Assistindo o Jornal Hoje, conheci a Festa do Tinga. O boi tinga é uma tradição de mais de meio século que anima São Caetano de Odivelas, PA, nesta época do ano.

Estava quase dormindo quando começou a vinheta do Vídeo Show. Na tela apenas a parte de cima de um jovem e obeso apresentador que chama as matérias. Matérias que são 100% propagandas da própria emissora. Um programa próprio para endeusar os projetos da casa.

Vem o Vídeo Game comandado por Angélica e aí não é preciso comentar muito. Quanta bobagem!

Mais uma vez vamos dar crédito aos produtos da emissora. Vale a pena ver de novo. Será que vale mesmo? Não!

05h30 é o horário para os jovens. O folhetim Malhação está no ar com muita gente bonita, um roteiro horrível (com histórias manjadas e ruins) e interpretações de dar dó. São jovens modelos que pensam: “Poxa, já que eu sou tão bonito, vou ser ator e pronto. Decoro alguns textinhos e ainda fico famoso”. Mais um destaque: será que existem jovens tão malvados ou tão bonzinhos como esses? Irreal! Isso mesmo, quanta coisa irreal!

Chegou o horário das novelas. Primeiro vem a Novela das 6, quase sempre com um roteiro de época e sem apelo sexual. Uma novela leve e que ultimamente bate recordes de público.

Mais uma parada para o Jornal Regional e depois chega a Novela das 7. Com temas mais descontraídos e humorísticos, vem fazendo feio no ibope e dando dor de cabeça para os chefões da Globo.

William Bonner e Fátima Bernardes: o casal perfeito apresenta o Jornal Nacional. Atualmente perdendo preciosos pontos de audiência e apelando para reportagens investigativas e polêmicas que atraiam mais público.

Novela das 8: o carro chefe da TV. Muito apelo sexual, intrigas, mortes, polêmicas. Sucesso total, ápice de ibope, muito dinheiro com publicidades.

Chega ao fim um dia de TV Globo para mim. 22h20 já é hora de ir para cama. A TV, que é disparada, a mais poderosa do Brasil e uma das mais mais do mundo é simplesmente péssima em conteúdo e riquíssima em audiência.

Mas por que tanto ibope?

A resposta tem várias explicações:

· O povo não gosta de pensar e assistir TV ao mesmo tempo. São coisas distintas. Ligar a televisão significa relaxar e esquecer tudo;

· A qualidade de imagem da TV Globo é melhor do que qualquer outra;

· Os artistas mais famosos estão lá. O dinheiro está lá! E dinheiro, quase sempre quando bem investido, significa audiência;

· O brasileiro confia na Globo. Deixa no canal e sabe direitinho toda sua programação. Chega ao ponto, até mesmo, de controlar o horário através da TV.

Além desses pontos, deve-se ressaltar ainda um fato curioso: muitas vezes comentamos comerciais que aparecem na televisão, não é mesmo? Quando isso acontece e alguém pergunta “Em qual canal você viu esse comercial?” Nunca mencionamos outra emissora. É sempre Globo. O padrão de qualidade dela já se instalou no Brasil. Se na TV Bandeirantes for anunciado que Brasília está pegando fogo, mas sem que isso passe em algum jornal da Globo... muita gente vai duvidar. Tem que ver na Globo para crer.
Quanta mudança ein? Quem não se lembra do início...

“O povo não é bobo, abaixo a Rede Globo!”.

Mais informações sobre essa discussão está no filme "Muito Além do Cidadão Kane". Com versão para download aqui!